domingo, 24 de outubro de 2010

Somos todos palhaços de boca pintade, diante das obscuridades da vida!


Sempe gostei de palhaços, desde pequena! Amava os palhaços nos circos, nos filmes, nos quadros... enfim, todo e qualquer palhaço fazia minha cabeça.
Um dia resolvi fazer um tapeçaria, e fui numa dessas lojas que vendem lãs e agulhas e telas e voltei pra casa equipada.
Adivinha que tela comprei? sim...um enorme palhaço, todo desajeitado, envergonhado e lindo!!!
Bordei bem depressa, mandei colocar uma moldura bem linda, e colquei na sala de minha casa.
Toda vez que olhava aquele quadro, era como se tivesse pintado a mim mesma...!
Triste, desajeitada, boca pintada de um vermelho bem forte, mas a tristeza imperava no olhar.
Dai me lembrei de uma estória que minha mãe contava quando era ainda pequena, sobre um palhaço que pouco antes do espetáculo havia perdido o único filho pra uma enfermidade séria, e o patrão lhe disse que o espetáculo tinha que continuar; que ele fizesse sua participação normalmente, depois fosse pra ver o filho, morto, no hospital! Absurdo...pensava eu. Ainda não entendia que a vida é feita mesmo de muitos absurdos!!!
E foi então que o palhaço, chorando por dentro, subiu ao palco, fez seu numero, e enquanto todos riam e riam muito, ele chorava...e disfarçava suas lágrimas com gestos que o ajudavam a esconder o rosto.
Um dia, olhei pro meu palhaço tecido naquela grande tela da parede, e achei o motivo de gostar tanto deles! PAssei a vida inteirinha pintando a boca, e levando um sorriso nos lábios, mesmo quando o coração estava quase arrebentado por dentro!
PAssaram muitos anos desde então, e continuo "palhaça" das minhas emoções e na vida: Onde pinto a boca, pinto os olhos,dou um colorido nas faces, e saio a procura do nada, " palhaça de perdidas ilusões" como dizia uma antiga musica, quase sempre com o coração sangrando!!!

Um comentário:

  1. Mami... suas palavras são sempre lindas e doces como você... somos mesmo... todos um bando de palhaços tentando esconder o que somos na verdade, serem humanos, falhos, as vezes tristes e as vezes alegres, mas sempre escondendo a verdade pra que o mundo não se aproveite da nossa fraqueza...
    te amo...

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