terça-feira, 9 de novembro de 2010

De princesa a "gata borralheira"!


Fui ganhando a confiança de Luzia não por mérito algum, mas talves porque ela nunca tivesse com quem falar, e eu tenha lhe dado essa oportunidade quando entre um copo de agua e outro eu dizia alguma coisa sobre mim.
Acho que nesse dia ela estava muito amargurada:o dia no lixão, havia"sido péssimo", porque quase não encontrara pão nem comida que pudesse aproveitar.
Sem olhar pro meu rosto, num misto de vergonha ou talves vontade de esconder as lágrimas que inssistiam em cair, foi me contando que levava uma vida de princesa...
Casada com um industrial há 18 anos, começou notar que cada vez mais o esposo já não parava em casa, e sempre que voltava vinha com papéis pra ela assinar! Dizia irem mal os negócios, assim sendo, alguns imóveis teriam que ser vendidos!
e ela assinava esses papeis, e depois lhe fazia uma carinho e dizia que tudo ficaria bem...
E realmente ficou mesmo...mas só pra ele.Tempos depois,disse que queria o divorcio, nunca mais ela o veria e se virasse com "seu filho"...Logo foi visitada pelo advogado dele, que a informou nada mais ter pra dividir...Todos os imóveis, e bens móveis, haviam sido vendidos, e estavam todos em nome de uma mulher que ela nunca ouvira falar!
Como ultimo desafeto...aquele de misericórdia, a dona se apresentou como sendo esposa do seu marido, no dia em que fora tomar posse da casa...uma mansão na Av.Paulista, bairro nobre no centro de São PAulo.
Chorando lhe perguntou onde iria morar ,com o filho doente,já que não tinha mais parentes vivos, e não lhe restara nenhum dinheiro no banco!
A mulher colocou asgumas notas na sua mão e disse pra ela arrumar as coisas e "dar o fora"!!!
Foi assim que depois de passar a noite inteira andando sem rumo com o filho...decidiu embarcar pra onde conhecia uma unica pessoa fora do seu mundo, de festas e paparicos, e chás de madames e festas beneficentes,...que não te pertenciam mais, mas era o unico que conhecera desde garotinha.
Fez uma pausa pra enxugar os olhos e continou: dona, dizia ela, eu sempre fui muito rica, e me casei com esse homem, filho de um grande amigo de meu pai; nos conheciamos desde pequenos e dai confundimos nossa amizade, com os negocios das nossas familias...eu devia ter pensado melhor, mas estava apaixonada,
porisso, continuava ela, a paixão dona, é doença da alma e dos ossos...diferente do amor.
Luzia embarcou pra outro estado, onde morava uma senhora bem idosa, sua madrinha, pessoa que só conversava por telefone há anos já, mas que mesalmente, mandava uma boa quantia em dinheiro para sua subsistência.
Luzia foi muito bem recebida pela senhora, mas sua situação era precária.Morava num casebre, mas como já há tres meses Luzia ficara sem o dinheiro pra lhe mandar, nem comida havia dentro de casa. Estava vivendo da bondade de alguns vizinhos que dividiam com ela o pouco que tinham.
O filho depois do ocorrido nunca mais falou! vivia nos médicos, tomando remédios fortes, que quase sempre lhe davam no postinho do lugar.Não pudera tratar do problema da fala, porque o tratamento era caro e não havia médicos especificos pro tratamentono SuS.

As poucas roupas que trouxera, tinham acabado e vestia o que ganhava,tanto ela quanto o filho.
Falava um portugues tão correto, que no decorrer do tempo me pegava pensando como alguem faz uma coisa assim com outro ser humano!!!Havia estado em Isrel, em Londres,na frança,conhecia o egito...e vivia agora...numa favela!!!
que vida irônica...
Fui ouvindo tudo,e quando ela me olhou meu olhos é que estavam inundados de lágrimas.
Ela tocou de leve minha mão,me agradeceu a agua como fazia todos os dias,pegou o filho pela mão,e rua acima desapareceu com apenas uma sacolinha quase vazia e alguma coisa que haviam lhe dado!

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